quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Noites

Se noites há em que o sono não chega ou vem tarde e a más horas, a medo, intermitente e pouco conciliador, ultimamente, ataca-me assim que chego ao sofá e eu apago, sentada, de rato na mão e PC nas pernas, o gato enrolado à minha volta. Desde que pedalei até à Serra, onde esvaziei o pensamento, deixei o stress e matei as más energias, que me sinto em paz. Enquanto pedalava por aquela puta daquela subida de dez quilómetros acima, até ao Caramulinho, eu pensei em tudo. Pensei na Maria Isabel, na Teresa, na Paula, pensei no Zé e no Carlos, pensei na família e no trabalho, pensei naquilo que me tirava o ar e deitei tudo cá para fora. Pensei no que estariam eles a fazer enquanto eu me esganava por ali acima. Será que estavam felizes como eu, será que estavam a expiar e a purgar a alma, será que estavam a castigar o corpo num misto de desafio e dor mas também de êxtase e felicidade? Será que estavam também eles a tentar superar-se? Será que precisam mesmo de desafiar-se e tentar  superar-se como eu?
Isso eu não sei.
Apenas sei que o ar da serra me fez bem.

domingo, 12 de novembro de 2017

É por isto...

Daqui eu vejo o céu, daqui eu vejo a terra, daqui eu vejo o mundo e este mundo é meu.
Pedalo durante muitos e muitos quilómetros, sempre a subir, a subir, a subir. Mesmo até ao céu.
Mas não importa. Nada importa quando chego lá acima.
O mundo está a meus pés e eu bebo e respiro este mundo.

É por isto que eu amo pedalar!











quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Maria José

Mais do que a assusta a dureza da vida, assusta-a a crueldade da morte e talvez seja por isso que tem pressa de viver, de fazer, de correr. É por ter medo que a vida lhe fuja. Não é o corpo esquartejado, os exames, os tratamentos, é a espera, a incerteza, a intermitência, é isso que a tortura.  A inércia forçada então, quase a mata mais que a doença. Mas eu sei que a vida não lhe vai morrer, nem o sorriso, nem a alegria.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

As opiniões dividem-se

O lanche no trabalho!
Então,
É lanchar enquanto se trabalha fazendo ambas as coisas ao mesmo tempo, isto é, continuando a despachar serviço, num open space, à vista de toda a gente, mastigando, enchendo a secretária e o teclado de migalhas, engasgando-se entre uma dentada e um telefonema, embodegando os papeis e enchendo o caixote do lixo de cascas de fruta e mosquitos, mas o mais importante, nunca parando de trabalhar com a mão que se tem disponível
ou,
É parar de trabalhar, ir calmamente até ao refeitório, mastigar os alimentos muito bem como manda a lei, utilizar todos os recipientes para a reciclagem de seu lixo, lavar muito bem as mãos no fim e voltar então para continuar a trabalhar já com vários assuntos atrasados e por resolver
ou,
Não lanchar no trabalho!
Ein?

Fábrica de taças

Um belo dia filhos vão estudar para longe de casa e filhos, armados em independentes, querem é levar comida de plástico ou ingredientes de plástico para confecionar e apenas comerem o que bem lhes apetece, não o que Mamãe acha que é saudável para eles. Ora, claro que filhos logo se cansam da comida de plástico, claro, e suplicam pelas marmitas de Mamãe. Ora, Mamãe esmera-se a cozinhar para filhos e manda taças com sopinha e carninha e peixinho para filhos todas as semanas. Ora, taças vão perdendo as tampas, ou as tampas não casam e as próprias vão ficando perdidas e esquecidas nas casas de filhos e de filhos de outras Mamães, não sei. Eu sei que as taças vão-se evaporando, escapulindo, desaparecendo até que Mamãe decide que já não há mais verba para taças. Ou aparecem as taças ou não há mamitas. Oh mas oh que cena, mas Mamãe está tolinha ou quê, armar agora confusão e reclamar por causa de umas taças ranhosas, onde é que já se viu...
Ok, sai uma fábrica de taças!

domingo, 5 de novembro de 2017

Eu sabia!

Que ao invês de ter escolhido a quinta e a sexta para não fazer porra nenhuma a seguir a um feriado, devia ter escolhido a segunda e a terça antes do feriado. É que assim sendo era menos uma segunda-feira. Mas para que porra têm de existir segundas, ein? Além disso a ideia era não fazer porra nenhuma, porra! Não parei, estou cansada.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os dias em que não faço nada

Esses dias são dias que vão passando por mim sem que eu dê por eles, quietos, silenciosos, sem sol e sem chuva, sem calor e sem frio, sem luz e sem névoa. Esses dias não têm emoções nem paixões, não têm gosto nem cheiro. Nesses dias não sinto, não falo, não oiço. Faço tantas coisas nesses dias e no entanto não faço nada. Um desperdício esses dias.