quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Saber amar

Disse-me, olhando distraída como quem se sente perdida, que o amor lhe fugiu e se escondeu em parte incerta. Disse-me que seu coração mirrou e se encontra encarquilhado. Já não sabe esperar, pacientar, contornar, já não sabe proteger ou amparar, já não sabe cuidar ou gostar. A não ser de si. E de si tem dúvidas. Sente-se órfã de coração e de amor.
Eu.... não tive palavras.
Acho que também eu já não sei amar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

E foi assim!

Este ano não carnavalei!
Normal para muitos mas não para mim que desde que me lembro já usei dezenas de disfarces, dancei, sambei, gargalhei, todos os anos me diverti até não poder mais com os meus amigos. Não sei se me está no espírito mas sei que sempre fui no embalo e nunca me arrependi.
Desta vez não me apetecia e o embalo foi outro.
Rumei a norte pela noite dentro e levantei-me de madrugada para pedalar, para me embrenhar por montes e vales, conhecer lugares novos há muito na minha lista. As míticas Fisgas de Ermelo, o mítico Monte Farinha e a Senhora da Graça, Varzigueto, Rio Cabril, Mondim, Celorico.... Lugares fantásticos! Não me desiludi.
E como se não bastasse  vim para baixo e para fugir aos Carnavais continuei a aventura pela Serra d'Aire e candeeiros. Estes lugares já conheço todos, mas não me canso de os ver.
Não dancei, não sambei, não gargalhei com os disfarces dos outros nem com o meu ou dos meus amigos, mas sorri. Tanto. Respirei. Tanto. Vi. Tanto. Senti. Tanto, mas tanto...















quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Memória seletiva

Não lembro as palavras
Não lembro a expressão
Não lembro o dia ou sequer a hora
Mas lembro
Perfeitamente
As promessas em vão

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Últimas

Elucidou-me este fim de semana mê rique filhe, muito sensato e assertivo o raças do miúdo, que o facebook se tornou a rede social dos  velhotes que se divertem a postar e a comentar a vida dos outros. Dantes faziam-no na rua, boca a boca e ao vivo e a cores, agora fazem-no comodamente em casa. Passaram a ter a língua na ponta dos dedos. Então e a rapaziada, pergunto. A rapaziada evoluiu naturalmente e naturalmente foi deixando o face mudando-se para o insta, o twitter, o snapchat e outros que tal. A rapaziada odeia cusquices.
Concordo com ele e também constato que de há uns meses a esta parte as amigas de mamãe e outros velhotes da minha rua me enviaram pedidos de amizade. Acho engraçado e muito bom para eles acompanharem os tempos modernos, mas as tendências estão a mudar sim e o face deixou de ser de longe uma rede social interessante. Não por causa da média de idades dos utilizadores, mas por causa do seu conteúdo e do rumo que as redes sociais estão a tomar.
Don't like!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Mariquices

Ah! Agora que também eu já tenho uma dessas doenças da moda, sou chique e estou bem mais integrada na sociedade moderna e já tenho até mais um assunto para falar com pessoas e para entrar em grupos e chats e tudo e tudo, yeah!
Ah pois, que isto das cenas virtuais é que é.
Além disso, estou muito mais descansada pois já não vou morrer de caganeiras. 
Vocês desculpem-me a expressão mas... sim, muitas caganeiras. E que caganeiras!
Pois que eles é o gluten, eles é a lactose, eles é as alergias, eles é as intolerâncias a tudo e mais alguma coisa e eu a rir-me destas mariquices. Entretanto desconfiei e amuei aqui com a minha tripa, fartinha de me pregar partidas, sem que me ocorre-se tal possibilidade e sujeitando-me a exames mirabolantes que ainda por cima me invadem aqui os buracos e as entranhas.
Ao ler pela bloga uns posts sobre o assunto, lembrei-me de fazer uns testes. Tira leite normal mete leite de amêndoa ou de arroz, tira iogurtes, tira queijos, volta a meter, voltava tirar e.. Voilà! A tripa melhora, a tripa piora, volta a melhorar. Não sei porquê mas parece que me tornei intolerante à lactose. Toma, embrulha, gaja do campo que tem a mania que isso são tudo mariquices...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pudesse eu

Enquanto olho as minhas unhas com o gel já a meio e as pontas riscadas e estragadas das luvas de andar de bike e decido a cor que vou colocar a seguir
Enquanto acho que amanhã vou ficar a pé porque hoje tive preguiça de ir às bombas meter gasolina e esperar pela minha vez e decido que amanhã saio mais cedo de casa para ir fazê-lo
Enquanto passo a responsabilidade do jantar para  a mão maridão e decido zarpar a toda a velocidade para o ginásio.
Enquanto me esfalfo na aula de combat e logo a seguir na de spinning e decido que ainda vou fazer Hiit  porque acho que podia passar horas naquilo sem me cansar
Enquanto decido andar de pijama no meio da rua pendurada nos muros dos vizinhos a salvar o meu gato de uma briga
Enquanto ando às voltas na despensa à procura de um chocolate e penso em decidir que havia de me deixar dessas gulodices...
Enquanto decido isto tudo e mais alguma coisa, penso cá com os meus botões que eu havia era de decidir em me preocupar mais com estas minudências do que com outras que me quedam de sorriso amarelo ou sem sorriso e aspeto de calmaria por fora quando por dentro sou um verdadeiro vulcão em erupção, uma autêntica mulher bomba capaz de se fazer explodir a qualquer momento.
Pudesse eu mandar nisto tudo e seria capaz de tomar decisões mesmo difíceis...
Pudesse eu.... faria e diria tantas coisas.

domingo, 28 de janeiro de 2018