terça-feira, 22 de agosto de 2017

Baywatch Tuga

A pickup salva-vidas atravessa o areal lentamente contornando corpos ao sol., chapéus, toalhas e crianças a brincar, com quatro marmanjões massudos lá dentro mesmo à Baywatch, só faltava a mamalhuda da Pamela Anderson, mas como está já se reformou, lá vinham eles cheios de estilo, óculos de sol espelhados e bíceps de metro e meio de fora da janela, aberta até abaixo. Pararam rente às ondas e lá ficaram em amena cavaqueira com o nadador salvador de serviço. Em se cansando, arrancaram e regressavam  pelo mesmo caminho quando foram interpelados por um banhista que reclamou o constrangimento que eles estavam a causar às pessoas e ao ambiente andando no areal de carro. Um deles respondeu perguntando, muito enervado, o que é que ele já tinha feito naquele dia enquanto eles tinham já salvo do mar três pessoas na praia ao lado. O lesado contrapôs "ele? Ele estava de férias e na praia a descansar e a apanhar sol, eles é que estavam ali a trabalhar e eram pagos para isso, não para andar a passear de carro na praia". Bom, lá continuaram a trocar palavras azedas até o condutor da pickup resolver arrancar praguejando e o lesado ficar ali a rir às gargalhadas...
Ein???? ou aquilo era para os apanhados ou eu não percebi patavina do que se passou ali....

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mãe

Chega da rua de lábios pintados e cabelo arranjado, pousa a bolsa que traz debaixo do braço, tira os o óculos de sol e coloca o avental. Deita o pão quente que foi comprar no cesto. Caminha devagar que as pernas já não são o que eram e aquela prótese na anca não lhe dá descanso da dor, as mãos tremem-lhe e a pele está cravejada de sulcos já profundos, afinal são oitenta anos de histórias, oitenta anos de altos e baixos que a vida lhe trouxe e ainda traz. Apesar de tremerem, aquelas mãos ainda são de fada, com as unhas pintadas cor de salmão e que em meia hora fazem com que um cheirinho bom a   comida deliciosa invada a casa. A mesa já ela a tinha posto que nunca deixa nada por fazer e a família vai-se chegando para terminar os preparativos. É difícil juntar filhos, genros e todos os netos à mesa mas quando isso acontece a felicidade dela vê-se e sente-se. É preciso tão pouco para os fazer felizes...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tapa buracos

Não muito separados uns dos outros chegam-se-me dias em que me  aparecem contrariedades, contratempos, buracos lacunas.... Por vezes é apenas um cagagésimo de contrariedade, vá, sem qualquer importância, mas em certas ocasiões elas são tantas que até se me arrepiam os cabelos do peito, até a mim que nem os tenho.
Tanto faz que planeie, imagine, analise, que tire o azimute a tudo e mais alguma coisa, que acontece tudo ao lado. Ainda por cima eu, que tenho fraca pontaria e tremo das mãos, a mim que não sei fazer cálculos nem previsões, que tenho o sexto sentido todo lixado, as contas saem-me todas furadas.
Mais me valia a mim era fazer um workshop de tapa buracos, que é como quem diz, contrariedades, lacunas e afins. Isso sim é que era de valor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Quanto custam as férias?

As férias? As férias custam quilos.
Sim, quilos! Quilos de conchas e búzios  colhidos, quilos de areia e sal no corpo, quilos de sol a dourar a pele, quilos de nadismo, jolas e vinho no bucho a olhar as estrelas. Quilos. Quilos de comida que se saboreia em mais de quinze minutos, aliás, quilos de horas à mesa degustando sorrisos e gargalhadas, quilos de conversas ao luar, quilos de música que faz ondear o corpo e aquecer a voz, quilos de convívio e de festa, sem pressa, sem  culpa, sem horas. Quilos! Quilos de roupa para lavar e engomar, quilos de depressão no último dia, quilos de pneus a quererem saltar da roupa....

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ora vamos lá

As toalhas de praia já estão no arame, o chapéu de sol a arejar, a areia completamente limpa da garagem e do carro, a bike a descansar, as sapatilhas lavadas e arrumadas, os biquinis na gaveta. Vamos lá retomar isto.
Bem sei que as praias ainda estão cheias, os "avecs" ainda não se foram e ainda há muitos lugares vagos no estacionamento do trabalho, mas vamos lá retomar isto.
Buaaaahhhhh!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A culpa é dos estrogénios

Tenho perguntado aqui á minha pessoa por onde anda o meu bom humor, a minha alegria e paixão pela vida, o meu alto astral e energia, a minha proatividade e imaginação, o meu estado de alma feliz e a vontade de cantar enquanto trabalho. 
Estou fartinha de vasculhar os armários da alma e de abrir e fechar as gavetas do meu arquivo interior na esperança de os encontrar escondidos nalgum recanto, mas não. Há dias em que ainda vislumbro um ou outro, para logo os perder de vista. Uma ralação esta tristeza, esta apatia que se me pespega e cola sem que a entenda, sem saber de onde vem ou para onde vai. 
Esperançada estava no ócio e no nadismo, na mudança de ares e no pedalar até que não houvesse amanhã, mas já desesperancei. Bastaram três dias, três pequenos, frios e ventosos dias de agosto para que as gavetas ficassem lacradas e sem possibilidade de arrombamento para voltar a tirar o que está lá dentro.
Só que agora já sei. Aparentemente a culpa é dos estrogénios ou da escassez deles vá.
A puta da idade é fodida e eu estou "arrumada como o Caldas", não me consigo entender com isto do avanço da idade...

Manhã de Agosto

Estranha esta fria manhã de Agosto. Tão fria que tive de vestir um casaco antes de sair de casa. Triste era o semblante das poucas pessoas com quem me cruzei, verdadeiros autómatos a quem acabaram de ligar o botão. E mais estranho ainda é o frio que sinto cá dentro esta manhã. Não entendo como tal é possível numa manhã de Agosto.