terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Dois mil e dezassete

Este meu ano de dois mil e dezassete foi recheado de aventuras. Boas. E das coisas incríveis que fiz, uma delas foi aceitar o desafio de sábado passado. Pedalar por Gaia e Porto à noite!
Conhecia pouco e já adorava, fiquei completamente fã.
Pedalámos noite dentro, rente ao rio nas suas duas margens, subimos a miradouros, descemos aos cais, atravessámos a Ponte D. Luís e entranhamo-nos em estradas e ruelas iluminadas e cheias de gente. Da Torre dos Clérigos aos Aliados, da Ribeira ao Palácio de Cristal, das Fontainhas à Ponte do Freixo, Vila Nova de Gaia, Oliveira do Douro.....
Incrível esta aventura onde tive a feliz oportunidade de rever amigos que fiz por causa do blog.
Este ano estou sem sombra de dúvida muito mais rica.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Com o meu vestido preto, eu nunca me comprometo

E de repente uma gaja apercebe-se que a festa de Natal da empresa e de todo o grupo já está aí e vai ser num sítio todo finesse na capital, não, não foi no Panteão mas o dress code era semi formal e o lugar pedia um outfit mesmo em bom. Pois!! O que vestir para não parecer a mesma pindérica friorenta de todos os dias, ein? É que uma gaja  tem de parecer bem não vá cruzar-se com Ceo's, Coo's, algum Vogal ou até o Presidente. Gaja que é gaja gosta de ir diferente de todos os dias mas não quer ir bater lojas à procura da última coca-cola do deserto, uma gaja não quer parecer um palhaço, uma gaja não quer dar nas vistas mas também não quer passar despercebida. Uma gaja qier ir gira e elegante, prontus! Dassse, que isto é difícil! Foi então que tive uma ideia luminosa, uma ideia que nunca ninguém teve, uma ideia mesmo em bom, uma ideia inédita. Pois é, um vestido preto! Sim, de vestido preto eu nunca me comprometo. Eu e mais umas duzentas mulheres que estavam naquele jantar....



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Sim, estou carregadinha de mau feitio

Dezembro, odeio!
Pingo no nariz, pés e mãos geladas, eu que não tenho pele de foca, isto é, sou pele e osso, ando aqui que nem posso com este frio.
E depois.... Depois odeio hipermercados e shoppings e compras e luzes e pessoas. Odeio pessoas e filas para pagar e filas de carros a vinte à hora.
Tenho a despensa vazia e estou farta de ovos estrelados. Não tenho uma única prenda comprada e nem lista delas. Eu que sou de listas. Nem ideias. Eu que sou de ideias. Não quero! Não quero Dezembro. Vou hibernar OK?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mato quem as inventou...

Hoje estreei umas meias, lindas, pretas com uma risca de veludo atrás, lá daquela loja onde as atrizes e as modelos vão, quanto mais não seja para filmar um anúncio e receber uma pipa de massa, essa mesmo, a tal onde as meias custam os olhos da cara mas onde gaja que é gaja teima em ir.
A meio da manhã comecei a sentir o dedo grande do pé estranho, tirei a bota e pimba! Um buraco e dos grandes, tinha o dedo completamente de fora. Dasssse! Não há dia em que eu não rasgue umas meias no momento em que as calço. Tenho gavetas inteiras de meias falecidas que tenho pena de deitar fora. Já não basta terem inventado que os homens todos calcem meias pretas (tenho três desses espécimes, um de cada tamanho), como inventaram máquinas de lavar e cestos que engolem uma das meias do par todos os dias, máquinas de secar que desbeiçam os elásticos e encolhem os tamanhos como ainda inventam meias que se rasgam quando calçadas pela primeira vez. E não me mandem cortar as unhas que as minhas andam sempre no sabugo.
Mato! Mato que inventou as meias só para me enervar!

domingo, 26 de novembro de 2017

Ai queres ir ver o outono, queres?


Lindo este outono não é? Ali ao fundo, está o maridão à minha espera e eu, eu estou aqui atrás a arfar e a ver se descanso mas disfarçando como quem está mesmo a querer tirar fotografias ao outono.
Mas adiante.
Queria porque queria ir ver o outono à pista e pedalar por aquele tapete de folhas a fora com o rio Lis ali ao lado, coberto ele também de folhas de vários tons, a cidade ao fundo e nós ali, maridão e eu, pedalando de orelhas ao vento a curtir a paisagem.
Eis senão quando, avisto um cãozarrão a brincar com outro pequenito lá em baixo nos campos, Umm, está a brincar, não liga a ciclistas, este. Cãozarrão eriça as orelhas, cãozarrão avista maridão que ía ligeiramente à frente, cãozarrão começa a atravessar os campos em sprint direito a ele e eu, desacelero e respiro fundo, já me safei, ele pedala mais depressa que eu, cão cansa-se e eu passo descansada. Ou não. Cãozarrão descobre que eu vou ali, cãozarrão muda de direção e começa a acelarar direito a mim. Eu vejo que o cãozarrão vai me apanhar e começo a sprintar, cãozarrão está no meu calcanhar a tentar abocanhar-me o pé. Maridão a gritar pedala, pedala que ela vai-se cansar. E eu pedalei, pedalei, já não tinha mais mudanças, nem mais força nas pernas e ele não se cansava. Pensei. Pronto! Vou ser trincada.
Num volte face maridão desacelera e atira-lhe água do bidão, cãozarrão desiste e eu posso finalmentr respirar. Uf! Senhores, tirem-me os cáes das pistas quando eu for a passar. Eu até tenho umas pernas magricelas. Nada para trincar ok?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A bolha

A bolha, a barreira, o muro, a linha. Chamem-lhe o que quiserem, mas é uma espécie de escudo que fui construindo à minha volta, sem saber até, como, ou porquê. Uma  bolha através da qual não consigo deixar que passem para cá, ou eu própria para lá. Esta bolha agiganta-se  cada dia que passa e apesar do fosso, da distância e da espécie de pedestal onde me encontro, cada vez estou mais certa da necessidade dela. Ela protege-me de quase tudo e quase todos.
Tenho medo no entanto.
Medo que esta bolha me feche em mim....

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Noites

Se noites há em que o sono não chega ou vem tarde e a más horas, a medo, intermitente e pouco conciliador, ultimamente, ataca-me assim que chego ao sofá e eu apago, sentada, de rato na mão e PC nas pernas, o gato enrolado à minha volta. Desde que pedalei até à Serra, onde esvaziei o pensamento, deixei o stress e matei as más energias, que me sinto em paz. Enquanto pedalava por aquela puta daquela subida de dez quilómetros acima, até ao Caramulinho, eu pensei em tudo. Pensei na Maria Isabel, na Teresa, na Paula, pensei no Zé e no Carlos, pensei na família e no trabalho, pensei naquilo que me tirava o ar e deitei tudo cá para fora. Pensei no que estariam eles a fazer enquanto eu me esganava por ali acima. Será que estavam felizes como eu, será que estavam a expiar e a purgar a alma, será que estavam a castigar o corpo num misto de desafio e dor mas também de êxtase e felicidade? Será que estavam também eles a tentar superar-se? Será que precisam mesmo de desafiar-se e tentar  superar-se como eu?
Isso eu não sei.
Apenas sei que o ar da serra me fez bem.

domingo, 12 de novembro de 2017

É por isto...

Daqui eu vejo o céu, daqui eu vejo a terra, daqui eu vejo o mundo e este mundo é meu.
Pedalo durante muitos e muitos quilómetros, sempre a subir, a subir, a subir. Mesmo até ao céu.
Mas não importa. Nada importa quando chego lá acima.
O mundo está a meus pés e eu bebo e respiro este mundo.

É por isto que eu amo pedalar!











quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Maria José

Mais do que a assusta a dureza da vida, assusta-a a crueldade da morte e talvez seja por isso que tem pressa de viver, de fazer, de correr. É por ter medo que a vida lhe fuja. Não é o corpo esquartejado, os exames, os tratamentos, é a espera, a incerteza, a intermitência, é isso que a tortura.  A inércia forçada então, quase a mata mais que a doença. Mas eu sei que a vida não lhe vai morrer, nem o sorriso, nem a alegria.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

As opiniões dividem-se

O lanche no trabalho!
Então,
É lanchar enquanto se trabalha fazendo ambas as coisas ao mesmo tempo, isto é, continuando a despachar serviço, num open space, à vista de toda a gente, mastigando, enchendo a secretária e o teclado de migalhas, engasgando-se entre uma dentada e um telefonema, embodegando os papeis e enchendo o caixote do lixo de cascas de fruta e mosquitos, mas o mais importante, nunca parando de trabalhar com a mão que se tem disponível
ou,
É parar de trabalhar, ir calmamente até ao refeitório, mastigar os alimentos muito bem como manda a lei, utilizar todos os recipientes para a reciclagem de seu lixo, lavar muito bem as mãos no fim e voltar então para continuar a trabalhar já com vários assuntos atrasados e por resolver
ou,
Não lanchar no trabalho!
Ein?

Fábrica de taças

Um belo dia filhos vão estudar para longe de casa e filhos, armados em independentes, querem é levar comida de plástico ou ingredientes de plástico para confecionar e apenas comerem o que bem lhes apetece, não o que Mamãe acha que é saudável para eles. Ora, claro que filhos logo se cansam da comida de plástico, claro, e suplicam pelas marmitas de Mamãe. Ora, Mamãe esmera-se a cozinhar para filhos e manda taças com sopinha e carninha e peixinho para filhos todas as semanas. Ora, taças vão perdendo as tampas, ou as tampas não casam e as próprias vão ficando perdidas e esquecidas nas casas de filhos e de filhos de outras Mamães, não sei. Eu sei que as taças vão-se evaporando, escapulindo, desaparecendo até que Mamãe decide que já não há mais verba para taças. Ou aparecem as taças ou não há mamitas. Oh mas oh que cena, mas Mamãe está tolinha ou quê, armar agora confusão e reclamar por causa de umas taças ranhosas, onde é que já se viu...
Ok, sai uma fábrica de taças!

domingo, 5 de novembro de 2017

Eu sabia!

Que ao invês de ter escolhido a quinta e a sexta para não fazer porra nenhuma a seguir a um feriado, devia ter escolhido a segunda e a terça antes do feriado. É que assim sendo era menos uma segunda-feira. Mas para que porra têm de existir segundas, ein? Além disso a ideia era não fazer porra nenhuma, porra! Não parei, estou cansada.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os dias em que não faço nada

Esses dias são dias que vão passando por mim sem que eu dê por eles, quietos, silenciosos, sem sol e sem chuva, sem calor e sem frio, sem luz e sem névoa. Esses dias não têm emoções nem paixões, não têm gosto nem cheiro. Nesses dias não sinto, não falo, não oiço. Faço tantas coisas nesses dias e no entanto não faço nada. Um desperdício esses dias.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Digam-me cá vocês que sabem das coisas

São histórias mirabolantes, maldades do arco da velha, autênticas novelas Mexicanas pejadas de acontecimentos maquiavélicos que até fazem arrepiar os pelos de quem nem sequer os tem.
Serão os ou as colegas de trabalho "malvados" um mito e as pessoas é que gostam de se armar em vítimas e culpar sempre os outros por tudo ou são de fato uma realidade estas pessoas que fazem a vida negra aos colegas?

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Momentos que marcam

Assim que abriu a porta para deixar os netos numa suposta festa de aniversário, a sala irrompeu a entoar os parabéns e a bater palmas em ritmo acelerado. O susto e a surpresa foram tão grandes que o homem largou-se a chorar encostando-se à parede para melhor de apoiar e respirar fundo. Quem viu aquela emoção chorou também, assim como chorou no abraço apertado com cada uma das suas pessoas e ainda com o filme de memórias e de gratidão que a filha e os netos lhe prepararam. Afinal eram setenta anos de história, de amor e de alegrias. O abraço tão sentido entre eles então comoveu o mais duros dos presentes. Foi uma tarde muito emotiva aquela.

domingo, 22 de outubro de 2017

Chega de palavras, chega de imagens

Palavras tristes e doridas, inflamadas e raivosas. Imagens sentidas, emocionadas...
Mas agora chega, atitude e ação precisam-se.
Fiz a minha pedalada de sempre, pelos pinhais de sempre e são quilómetros e quilómetros  de preto e cinza, nalguns sítios ainda fumegantes e hoje ainda ardeu mais um pouco, não há nada, não há animais, não há mato, casas e muros chamuscados, arderam muitos bens, o que há são escombros e pinheiros queimados, moribundos, nus de pinhas e de verde, em risco de cairem. Vão interditar as matas. Fez-se um cordão humano fazem-se donativos, espetáculos solidários, apoiam-se famílias e bombeiros, o povo faz o que pode. Agora cabe a vós governantes, fazer a vossa parte.....

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Paixão

Aquele ardor no estômago, aquela ansiedade que nos tira o ar, aquela alegria desmedida, aquele sorriso estúpido na cara, aquela vontade de abraçar e apertar. Um sentimento que vem e que vai e que por vezes volta e outras não.
Sou de paixões.
Por causa das paixões já fui pintora, ginasta, escritora, patinadora, exploradora e investigadora , decoradora, fotografa e agora sou ciclista. Esta última bateu-me forte e não me larga.
Por causa das paixões já fui louca por homens, mulheres, animais, trabalho e até por coisas.
Por causa das paixões já cometi loucuras. Por causa das paixões já chorei e já ri muito, já fiz coisas incríveis e já deixei outras por fazer.
Tenho paixões recorrentes e uma delas vai e vem há para aí uns trinta anos e tenho mais duas que nunca me passaram  nem vão passar. Essas chamam-se filhos. Além disso sou de paixões, todos os dias me apaixono, todos os dias sinto algumas borboletas na barriga de um lado para o outro e o meu pequeno coração transborda. Tanto que não sei o que lhe faça.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Hoje não há mesmo palavras....

Está foto não é minha mas transmite o que sinto.
Às fotos horríveis não são boas de ver....

domingo, 15 de outubro de 2017

O inferno de Dante

Estão 28 graus, o vento muda constantemente de direção e o fogo alastra assustadoramente devorando tudo o que encontra..... Não há palavras quando se vive tal coisa de perto.
S. Pedro de Moel, Marinha Grande, Vieira de Leiria e Pedrogão, tudo devastado e o inferno continua.
Medo do que praí vem esta noite.



Assustador!

Desolador, assustador ver que o fogo vem a passos largos da mata no sentido das casas. Custa a respirar, o vento é super quente e o fumo rodopia. Pensei que este ano o Pinhal de Leiria escapara aos dementes malvados, enganei-me. Ainda esta manhã pedalei por lá à procura do fresco, tão feliz por poder usufruir de tamanha beleza natural. Nem quero pensar como vão ficar aqueles lugares lindos, e mágicos...
Aparentemente começou em vários lugares ao mesmo tempo, como de resto quase todos os fogos postos e rapidamente se espalhou com o vento... Se foi posto só espero que os responsáveis ardam
neste inferno :(


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Só problemas...

- Levantar a meio da noite para fazer xixi é sinal de que se está a ficar velha ou é porque bebemos muito ao jantar?
- Ir para o trabalho de madrugada para apanhar um lugar no estacionamento principal e não apanhar e acabar por cagar os sapatos de pó branco e esfodaçar os saltos nas pedras e ter de passar o tempo que chegamos antes a limpa-los e não a adiantar trabalho é sinal que ainda devia ter chegado mais cedo ou que não vale a pena estar com essas merdas?
- Vestir de manhã uma camisa de manga comprida porque é outono e está frio e passar o dia esgramelada de mangas arregaçadas e a morrer de calor é sinal que estou baralhada e sou uma inadaptada ou o tempo está maluco?
- Trazer a marmita e descobrir que o prato do dia no restaurante ao lado é lasanha e deixar de lado a marmita e não pensar noutra coisa toda a manhã é sinal de quê vá?
Problemas, a minha vida é só problemas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Insania

Enquanto fazia desenhos na areia com os pés e apanhava conchas, enquanto andava e se deixava acariciar pelo sol e pelas pequenas ondas do mar ia deixando se levar pelos outros. Eles à frente naquele passo certo e seguro, elas atrás tagarelando alegremente e ela entre eles, caminhando em silêncio pensando em como se estranha em certos dias e horas, em como tantas vezes se sente bem em silêncio no meio do barulho, em como se acha uma solitária lá no fundo. Há dias em que gosta de se deixar conduzir mas noutros sente-se vazia lá dentro por se deixar apagar e anular. Nesses dias vê o mundo por fora calmamente, aparentemente, porque lá dentro.... Lá dentro há uma chama que arde, intensamente.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Dia macho

Esta noite, enquanto procurava o fresco do lençol com os pés, pensava em como este outono está estranho, é que afinal não é outono é verão. E eu que já tirei os verniz das unhas dos pés e me preparava para arrumar as sandálias. Mal sabia eu que hoje era dia macho e quando um dia é macho significa que tudo e todos se uniram para nos fornicar. Que dia!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Terapia

Enquanto as minhas unhas tomam uma nova cor, a Sandra tagarela sem parar sobre a vizinhança. E eu, que saio de casa de manhã chegando só á noite e não dou grande confiança a ninguém, gosto de saber das novidades. Uma ou duas perguntas mais um pequeno comentário e ela lá vai desbobinando tudo. Gosto da Sandra eu, que é uma bem disposta e diz as coisas com aquela graça lá dela, gosto do seu sorriso fácil, da sua gargalhada franca e sonora, até da forma descontraida como fala dos seus próprios problemas e das asneirolas que diz em jeito de confiança comigo. No entanto, o que gosto mais nela ainda é quando me afaga o ego, claro, que ela diz-me sempre que pareço mais nova. No fim de tudo ela massaja-me as mãos com um creme macio e cheiroso. Sabe cativar uma cliente a Sandra e proporcionar-lhe momentos agradáveis, pena que agora só volto a precisar dela daqui a umas semanas.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Garrano

Vejo-me.
Vejo-me livre e feliz a cavalgar por entre colinas, sinto a liberdade, o prazer, o vento nas orelhas, sinto os cascos a chapinhar no mar enquanto galopo na praia, galopo sozinha, galopo acompanhada. Galopo,  troto, lado a lado com os outros, por vezes uns à frente, outros atrás, quase sempre no mesmo sentido. Crinas ondulantes, olhos focados, pelo brilhante, vejo-me correndo algumas vezes a mudar de direção, outras a voltar para trás, algumas a ser guiada mas nunca me vejo fechada numa cerca, contrariada, obrigada, amordaçada.
Sou um garrano selvagem e indomável mas estou um pouco cansada de ser eu.

domingo, 24 de setembro de 2017

Só cromos!

Não consigo decidir sobre o meu voto...

Além disso ninguém me ofereceu t-shirts, nem esferográficas, a minha rua não foi pavimentada, a piscina Municipal continua a ter 50  anos, não revitalizaram o centro histórico que está moribundo e ainda me entupiram a caixa de correio de papelada....

Eu sei, tenho uma grande pancada

Está mais que visto que não bato bem da bola, queria descansar, queria fazer uma pausa e foi precisamente quando não parei quieta. Quis fazer uma pausa na escrita e não aguentei. Não aguentei não saber de alguns dos meus amigos virtuais e descobri que tenho tantos, obrigada. Não aguentei o deserto em que se tornou a minha caixa de e-mail, não aguentei não saber o que fazer ao serão, não aguentei quando achei que não tinha palavras e me fartei de escrever no meu caderno. Voltei.
Achei que a minha alma estava cansada e não a deixei descansar, achei que o meu corpo estava cansado e não parei de me mexer. Achei que estava dez quilos mais gorda, a roupa mostrava-me que estava dez quilos mais gorda e eu sentia-me dez quilos mais gorda, voltei ao ginásio e fiz uma avaliação, afinal são só dois e diz que sou uma cota muito ativa e em forma. Vai daí que fiz ginástica como se não houvesse amanhã e praticamente fiquei entrevada. Já estou melhor. Fiz uma passeio de Btt onde me fartei de comer pó e areia mas no fim aprendi finalmente a ter prazer em beber cerveja. Já gosto de minis! Uma das minhas amigas estava deprimida e eu sentia-me deprimida e no meio das lamentações percebemos que não se pode dar confiança a certas merdas da alma e que conseguimos dar a volta por cima. E damos. Fiz duzentos quilómetros para cantar os parabéns aos vinte anos de MaiNovo com umas velas que levei na carteira e ficámos todos super felizes. Hoje fiz cento e sessenta e cinco quilómetros de bike com outra amiga para lhe provar que ela era capaz. E foi. Percebi que as mulheres, além de serem fodidas umas para as outras, têm um enorme poder sobre os homens e que eu não sou uma delas. Destralhei a minha vida de algumas pessoas e de algumas coisas e sinto-me muito mais leve.
E é mais ou menos isto. Até amanhã!

domingo, 10 de setembro de 2017

Pausa

São tantas as coisas que diariamente solicito a mim própria.
Praticamente todas me trazem satisfação e alegria mas também algumas tristezas e dores. É assim a vida. São assim as vidas. Mas de tantas coisas que me tenho pedido, algumas já não cabem em mim e escrever, neste momento, é uma delas. Sinto-me tão cansada... No meio deste cansaço calam-se-me as palavras quando apenas algumas querem sair e,  temendo que não sejam as certas, resolvi calá-las por uns tempos e descansar. Vou fazer uma pausa, voltarei aqui quando "as minhas" palavras voltarem.

P.S.
Hoje fui subir a Serra d'Aire e Candeeiros para ir mostrar a Fornea a uns amigos. Fiquei muito feliz por eles mas custou-me tanto subir a Serra hoje. É que afinal não é só a alma que trago cansada, o corpo também.
Vou descansar e voltarei. Até breve!


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A vida maravilhosa de Jacinta

A sua formação em Engenharia Mecânica, a sua inteligência e profissionalismo, a sua boa disposição e a sua beleza fizeram com que tivesse muitos amigos, um bom emprego, que pudesse viajar para locais exóticos, comprar roupas de marca, viver na zona cara da cidade. A sua vida era maravilhosa e ela escrevia com eloquência e paixão, retratando os seus momentos felizes. O seu blog era um sucesso. As fotos das festas, dos lugares fantásticos onde ia, do seu aspeto impecável tornaram o seu instagram um sucesso também. Era uma vida das revistas, uma vida de sucesso e felicidade. Cansou-se, no entanto, de manipular imagens e palavras, chegou um momento em que o que ela queria mesmo era falar da sua solidão, do emprego precário de onde nunca tinha conseguido sair, das roupas que nunca teve, da tristeza que sentia. Apagou tudo e criou um novo blog, um novo instagram.

Na realidade Jacinta até era parecido com Joaquina e ali ela podia ser o que quisesse. Agora para variar seria uma jovem desesperada por uns tempos. Depois, logo se veria…

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pérola

Pedalei para fora da estrada, embrenhei-me no mato, muitas curvas e contra curvas, umas subidas e outras tantas descidas  ladeadas de um verde florescente que os raios de sol fazem brilhar. De um lado uma barreira, do outro uma ravina e um curso de água, os trilhos são túneis feitos de árvores e vegetação, o chão é um tapete de folhas macias, de cima caem folhas à minha passagem. Chamam-lhe a Amazónia. Bem lá no meio houve a intervenção do homem, que tornou aquilo seu e pôs ao seu jeito.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Rejubilemos

O ar está fresco e caem uns pingos do céu. Cheira a terra molhada. Que seja um bom dia deste ano novo :))

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

E eu a pensar

que o ano começava em janeiro, afinal é em setembro. Por aí já pululam os balanços e as resoluções e eu, por via das duvidas, reinscrevi-me no ginásio, noutro ginásio para ser diferente, vale?

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sem título

Quando o coração fica doente, a alma tem falta de ar e o olhar perde o brilho, o  corpo anda sem viço, a mente vagueia e as palavras fogem. Tal e qual uma planta a quem não regam a terra, o coração murcha quando não é alimentado, mas ao contrário da planta que não consegue ir à procura de água, o coração pode ir à procura de alimento quando quer. Se quiser.
O meu coração está doente e eu não sei o que faça.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Galifões

Coloquei para criar dois pintainhos lá no meu aviário. Sempre a medo e com tanto cuidado, arraçada de mãe galinha, mal os deixava sair do ninho construindo até uma escadinha para que pudessem entrar e sair sem cair. Todos os dias mudava as palhas do ninho, sempre macias e limpinhas e dizia aos do galinheiro para cacarejarem baixinho para não os incomodar sem sequer  perceber que meus já franguinhos não eram de capoeira, muito menos de aviário. Quando começaram a ganhar penas eu ainda achava que controlava a situação insistindo nessa  coisa do ninho e de os ensinar a voar e a cantar, pois há já muito que eles voavam e cantavam e de frangos não tinham nada. Os meus pintainhos são más é galifões sabidos e eu sempre disse que não devia ter tido um aviário.

Esquisita eu

Foi quatro vezes à cozinha e três vezes ao assador de onde chegou sempre de mãos a abanar, abriu e fechou mais três vezes a gaveta que apenas continha uma esferográfica e não chegou a dar-me o número de contacto, atendeu duas vezes o telefone para anotar encomendas, fez conversa de xaxa  com todas as pessoas que chegavam e quando a fila já chegava à porta começou a atender.
Não fosse o frango ser tão bom e diferente do das demais churrasqueiras e eu já tinha riscado do meu mapa esta nova Gerência...

domingo, 27 de agosto de 2017

Capítulos

Há muito que não pedalava sozinha, mas decidida que estou em contrariar a minha falta de vontade para fazer coisas, teria de ser hoje, não tinha companhia nem vontade de a arranjar iria sozinha, eu, a minha bike e a minha música estrada fora. Prestes a ter de desistir por causa daqueles pingos que teimavam em cair e que tornam a estrada perigosa para uma roda tão fina, decidi arrancar na mesma, devagarinho por aí fora. Já nem lembrava o quão gosto de pedalar sozinha e estar comigo e é quando estou comigo que tomo resoluções, que termino capítulos para iniciar outros. É limpar o pó, varrer o chão e fechar a janela para abrir uma outra limpa e desimpedida. Feito!
Quando cheguei às praias já estava sol.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Tu não existes

Não tens Facebook, Instagram ou blog...
Não sei por onde andas, o que fazes, se estás doente, se estás de férias, se trabalhas ou estás desempregada, se queres sair comigo, se precisas de falar ou outro tipo de ajuda ou se apenas queres ficar sossegada no teu canto...
Parece que não existes.
Vou ter de te telefonar.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Morning oats



Agora que terminaram as férias e os argumentos para continuar a comer porcarias como se não houvesse amanhã, toca a entrar na linha. Voltei ao meu pequeno almoço pouco calórico, saudável e nutritivo, “Morning Oats”:

3 colheres de aveia
2 colheres de leite
2 colheres de sementes (chia, girassol, linhaça picada, etc)
1 iogurte natural (ou grego ou outro qualquer depende do gosto)
Também fica bom com canela
Misturar
Camada de fruta (frutos vermelhos, banana, maçã, pera, kiwi, etc)
Fio de mel (ou não)
Camada de frutos secos ou granola ou mix


Preparado de véspera, em camadas e guardado no frigorífico num frasco hermético. Tão bom!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Baywatch Tuga

A pickup salva-vidas atravessa o areal lentamente contornando corpos ao sol., chapéus, toalhas e crianças a brincar, com quatro marmanjões massudos lá dentro mesmo à Baywatch, só faltava a mamalhuda da Pamela Anderson, mas como está já se reformou, lá vinham eles cheios de estilo, óculos de sol espelhados e bíceps de metro e meio de fora da janela, aberta até abaixo. Pararam rente às ondas e lá ficaram em amena cavaqueira com o nadador salvador de serviço. Em se cansando, arrancaram e regressavam  pelo mesmo caminho quando foram interpelados por um banhista que reclamou o constrangimento que eles estavam a causar às pessoas e ao ambiente andando no areal de carro. Um deles respondeu perguntando, muito enervado, o que é que ele já tinha feito naquele dia enquanto eles tinham já salvo do mar três pessoas na praia ao lado. O lesado contrapôs "ele? Ele estava de férias e na praia a descansar e a apanhar sol, eles é que estavam ali a trabalhar e eram pagos para isso, não para andar a passear de carro na praia". Bom, lá continuaram a trocar palavras azedas até o condutor da pickup resolver arrancar praguejando e o lesado ficar ali a rir às gargalhadas...
Ein???? ou aquilo era para os apanhados ou eu não percebi patavina do que se passou ali....

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mãe

Chega da rua de lábios pintados e cabelo arranjado, pousa a bolsa que traz debaixo do braço, tira os o óculos de sol e coloca o avental. Deita o pão quente que foi comprar no cesto. Caminha devagar que as pernas já não são o que eram e aquela prótese na anca não lhe dá descanso da dor, as mãos tremem-lhe e a pele está cravejada de sulcos já profundos, afinal são oitenta anos de histórias, oitenta anos de altos e baixos que a vida lhe trouxe e ainda traz. Apesar de tremerem, aquelas mãos ainda são de fada, com as unhas pintadas cor de salmão e que em meia hora fazem com que um cheirinho bom a   comida deliciosa invada a casa. A mesa já ela a tinha posto que nunca deixa nada por fazer e a família vai-se chegando para terminar os preparativos. É difícil juntar filhos, genros e todos os netos à mesa mas quando isso acontece a felicidade dela vê-se e sente-se. É preciso tão pouco para os fazer felizes...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tapa buracos

Não muito separados uns dos outros chegam-se-me dias em que me  aparecem contrariedades, contratempos, buracos lacunas.... Por vezes é apenas um cagagésimo de contrariedade, vá, sem qualquer importância, mas em certas ocasiões elas são tantas que até se me arrepiam os cabelos do peito, até a mim que nem os tenho.
Tanto faz que planeie, imagine, analise, que tire o azimute a tudo e mais alguma coisa, que acontece tudo ao lado. Ainda por cima eu, que tenho fraca pontaria e tremo das mãos, a mim que não sei fazer cálculos nem previsões, que tenho o sexto sentido todo lixado, as contas saem-me todas furadas.
Mais me valia a mim era fazer um workshop de tapa buracos, que é como quem diz, contrariedades, lacunas e afins. Isso sim é que era de valor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Quanto custam as férias?

As férias? As férias custam quilos.
Sim, quilos! Quilos de conchas e búzios  colhidos, quilos de areia e sal no corpo, quilos de sol a dourar a pele, quilos de nadismo, jolas e vinho no bucho a olhar as estrelas. Quilos. Quilos de comida que se saboreia em mais de quinze minutos, aliás, quilos de horas à mesa degustando sorrisos e gargalhadas, quilos de conversas ao luar, quilos de música que faz ondear o corpo e aquecer a voz, quilos de convívio e de festa, sem pressa, sem  culpa, sem horas. Quilos! Quilos de roupa para lavar e engomar, quilos de depressão no último dia, quilos de pneus a quererem saltar da roupa....

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ora vamos lá

As toalhas de praia já estão no arame, o chapéu de sol a arejar, a areia completamente limpa da garagem e do carro, a bike a descansar, as sapatilhas lavadas e arrumadas, os biquinis na gaveta. Vamos lá retomar isto.
Bem sei que as praias ainda estão cheias, os "avecs" ainda não se foram e ainda há muitos lugares vagos no estacionamento do trabalho, mas vamos lá retomar isto.
Buaaaahhhhh!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A culpa é dos estrogénios

Tenho perguntado aqui á minha pessoa por onde anda o meu bom humor, a minha alegria e paixão pela vida, o meu alto astral e energia, a minha proatividade e imaginação, o meu estado de alma feliz e a vontade de cantar enquanto trabalho. 
Estou fartinha de vasculhar os armários da alma e de abrir e fechar as gavetas do meu arquivo interior na esperança de os encontrar escondidos nalgum recanto, mas não. Há dias em que ainda vislumbro um ou outro, para logo os perder de vista. Uma ralação esta tristeza, esta apatia que se me pespega e cola sem que a entenda, sem saber de onde vem ou para onde vai. 
Esperançada estava no ócio e no nadismo, na mudança de ares e no pedalar até que não houvesse amanhã, mas já desesperancei. Bastaram três dias, três pequenos, frios e ventosos dias de agosto para que as gavetas ficassem lacradas e sem possibilidade de arrombamento para voltar a tirar o que está lá dentro.
Só que agora já sei. Aparentemente a culpa é dos estrogénios ou da escassez deles vá.
A puta da idade é fodida e eu estou "arrumada como o Caldas", não me consigo entender com isto do avanço da idade...

Manhã de Agosto

Estranha esta fria manhã de Agosto. Tão fria que tive de vestir um casaco antes de sair de casa. Triste era o semblante das poucas pessoas com quem me cruzei, verdadeiros autómatos a quem acabaram de ligar o botão. E mais estranho ainda é o frio que sinto cá dentro esta manhã. Não entendo como tal é possível numa manhã de Agosto.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

E prontus

O mundo gira e avança e se não fosse cá por coisas da minha vida profissional que me deixam a cabeça à roda e o corpinho em negação, tinha sido um regresso de férias tranquilo. Vá lá, o bronzeado, o cabelo amarelo do sol, o ar saudável, tranquilo e muito zen resistiram ao primeiro dia do regresso ao trabalho. Um dia destes há mais...



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Meu lindo mês de agosto, lá, lá, lá

Fomos fazer a vontade a Mainovo que andava com saudades de lanchar berbigões lá na tasca do canto, mesmo ao lado do elevador para o Sítio da Nazaré como costumava fazer com o Avô há uns anos. Se é difícil chegar à Nazaré para passar a tarde ao fim de semana, muito mais difícil é fazê-lo em agosto. Mais difícil ainda é estacionar e chegar ao areal, mas muito, muito mais difícil é chegar perto do mar dada a quantidade de insufláveis para crianças, bicicletas para alugar, redes de seca de peixe, barracas de bolas de berlim, etc e tal, mas difícil mesmo, mesmo é encontrar um espaço no areal para estender as toalhas por entre geleiras, pára-ventos, chapéus de sol com saia e afins. Pior que tudo isso é que é super difícil senão impossível conseguir ler descansada quando num raio de vários metros à nossa volta só se fala francês misturado com português e aos gritos para que se oiça mesmo bem. É que lá não é como cá ã? Melaniiiiiiieeee! Vien ici já!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Estranheza

Adoro o meu cantinho aqui no Oeste, as minhas praias, o barulho das ondas fortes do oceano atlântico, a areia grossa e quase branca. Conheço-as bem, cada rocha, cada escarpa, cada duna, cada passadiço que percorro vezes sem conta, a pé ou de bicicleta. Vá para onde for e por muito bom que seja, gosto sempre de voltar, agora, segunda-feira, férias, acordo e abro um olho, tudo cinzento e a chover, um frio do caraças???? Buahhh!!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O mar morreu

Os meus vizinhos ingleses estão agora mais calmos e dormem a manhã na cama. Um desperdício digo eu. O escritor já deve ter terminado o livro, toma o pequeno almoço calmamente com a esposa na varanda tal como nós.  Cumprimentamo-nos com um aceno de cabeça pois continuo sem saber que raio de língua falam eles que mais me parece um ladrar estranho, não pesco um telho, norueguês ou finlandês quem sabe. E o mar morreu, praticamente nem se mexe. Houve-se um leve ondejar que gosto de ouvir ainda na cama com a porta da sacada aberta e a olhar o céu, acalma-me os sentidos, embala-me a alma. Da piscina nem quero ouvir falar, ao sol abrasador não consigo estar, vou até à praia caminhar. Estas férias já caminhei uns sessenta quilómetros e li quinhentas páginas de livros. Aliás, cá em casa fomos todos mordidos pela mosca tzé tzé e nem um braço nos apetece mexer. Quem diria que me ia tornar numa apreciadora do nadismo.

sábado, 22 de julho de 2017

Dois tons de azul

O vizinho da casa do lado direito este ano deve ser escritor. Tecla furiosamente o dia todo sem levantar os olhos por um momento sequer. Quando não está a teclar, está a ler ou a beber café. Aparentava estar sozinha na casa mas hoje vi uma mulher e duas crianças. Levantou por fim os olhos do teclado mas ainda não os ouvi falar, não sei de que nacionalidade serão.
Os vizinhos do lado esquerdo são ingleses e todas as manhãs vêm juntar-se a eles todos os outros ingleses do condomínio, cada vez são mais. Começam a beber e a fumar aí pelo meio-dia e à tarde estão tão bêbedos que é uma animação, só espero que não nos venham vomitar nas nossas espreguiçadeiras.
Somos os únicos Tugas por aqui o que os faz olhar para nós como se de um espécime esquisito se tratasse, nem sei sequer se nos conseguem ver com tanto álcool no bucho. O escritor sei eu que não vê ninguém, o nadador salvador da piscina este ano é novo e engoliu um garfo, além disso o gato comeu-lhe a língua com certeza, também não nos vê. O jardineiro é portanto o único ser que nos cumprimenta pois já nos vê aqui há uns dezoito anos.
Mas isto não interessa nada, o que interessa na verdade são os vizinhos da frente. Dois tons de azul com som de fundo.

Bom Dia alegria

terça-feira, 18 de julho de 2017

Mala de férias

Desta vez vai cheia, cheia de cansaço, cheia de apatia, cheia de desalento, cheia de tudo e de todos. Nem sequer sei explicar porque tenho a mala tão cheia ou como fui deixando que enchesse desta maneira. Nem me reconheço nesta mala. Só espero conseguir esvaziá-la para eu mesma caber lá dentro e voltar com ela.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Perry

Chegou num dia de verão ao colo de meu pai, eramos ambos umas crianças. 
Uma pequena e engraçada bola de pelo cor de fogo, Perry, o meu cão.
O meu Perry não estava preso com uma corrente como os outros cães da vizinhança, nem ladrava raivosamente a tudo e todos que passavam perto, ele tinha um canil de cimento, grande, vedado com rede e na maioria dos dias andava solto pelo quintal brincando comigo. Lá em casa sempre fomos habituados a gostar, cuidar e respeitar os animais e tivemos vários, mas o meu Perry era especial. Ele sabia quando eram horas de lanchar ou jantar e ladrava até eu o acompanhar até casa, ele sabia que nos passeios tinhamos de olhar a ver se vinham carros para podermos atravessar e parava, ele sabia a que distância tinha correr ao meu lado quando eu ia de bicicleta e sabia o caminho para a fonte quando minha mãe me pedia para ir buscar água. O meu Perry ficava sentado encostado a mim quando eu estava de castigo porque me portava mal e muitas vezes deitava a cabeça no meu colo.
O meu Perry e eu crescemos juntos, corriamos, saltávamos e até dançávamos a valsa os dois. Mas o Perry foi treinado para caçar coelhos bravos e perdizes e a determinada altura começou a saltar os muros de casa e a andar muito tempo fora. Foi atropelado três vezes sobrevivendo sempre devido aos nossos cuidados. Eu, chorava. Chorava sempre até ele ficar bom e ele ficava. Um dia matou uma ninhada de patos de uma vizinha e ficou lá deitado à espera que o felicitassem por tamanha caçada, outra vez roubou um molho de chouriços da mercearia da nossa rua e enterrou-os no quintal e outra vez ainda, roubou um pão-de-ló inteirinho da cozinha de mamãe. Ele caçava tudo e por isso começou a ter de ficar preso no canil. Eu tinha de prometer que não tirava os olhos dele para o poder soltar.
Certo dia, já muito velhinho, esgueirou-se para o meu quarto e partiu, em paz, enrolado na colcha da minha cama, tinhamos cerca de dezasseis anos...
Ainda hoje o vejo de orelhas e patas felputas cor de fogo a correr ao vento no quintal.




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Livre

Há vinte e oito dias, doze horas e quarenta e três minutos que não fumo. Este era o ano, o do meu cinquentenário, aquele em que eu decidi que iria dar mais uma reviravolta na minha vida. Não foi em Janeiro ou em Fevereiro, muito menos em Março mas foi em Junho, por alturas da grande viagem a Santiago, por alturas da notícia do cancro da mama de duas amigas, foi nessa altura que o clic se deu em mim. Que coisa estúpida fumar! Como podia eu, uma adepta do desporto e da vida saudável....
Não que até fosse uma grande fumadora, mas dois ou três cigarros que fumasse por dia era ser fumadora na mesma e a prova disso é a aplicação que me lembra disso todos os dias. Neste momento poderei ter mais onze horas e meia de vida do que teria se nunca tivesse fumado. Bom, quando morrer, não morro às dez da manhã mas sim às nove e meia da noite, vá. 
Não importa, não importa se vou a tempo de alguma coisa, o que importa é que há vinte e oito dias que estou livre de mais um vício.
Entretanto vou para freira.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Lembranças de Santiago

Como em tudo nesta vida, o tempo vai suavizando os acontecimentos, sossegando as emoções e apagando certos pormenores até então presentes em nós todos os dias. Há no entanto momentos que nos ficam gravados nos recantos da memória e vai não vai, a nossa cabeça vai buscá-los. Das memórias que me acompanham constantemente, uma delas é sobre a grande viagem a Santiago onde conclui o quão pequenos e relativos são os nossos próprios mundos, apesar de os acharmos os maiores e mais importantes de todos. Numa enorme montanha, cada um de nós não é mais do que uma das pedras e há egos tão, mas tão grandes, que uma montanha não chegaria para os albergar.
Momentos houve em que ía focada no meu próprio sofrimento, nas minhas próprias dificuldades, nas minhas dores nas pernas,  no pó, no calor abrasador ou no suor a escorrer-me para os olhos, no peso dos alforges e nos quilómetros que ainda me faltavam para chegar, quando avistava outros peregrinos, a pé, carregadíssimos, coxos, e com aquele calor a caminharem apoiados nos cajados mas que continuavam a andar, cheios de vontade e determinação e a sorrir nos desejavam "Bon Camino". Noutro lugar deparei-me com um cesto de limões e garrafões de água à disposição de quem passa-se, noutro ainda, numa fonte estava um casal a encher garrafões de água e assim que nos aproximámos afastou-se para que saciássemos a sede e molhássemos a cara e depois... depois veio a Labruja e eu não podia com a minha bike tão pesada para subir aquelas pedras até lá acima e alguém ma levou. Chamei-lhe o meu anjo da guarda e nesse momento jurei a mim mesma que iria recordar-me para sempre daqueles momentos e do que eles me ensinaram.
E é por tudo isto que quando oiço alguém apregoar o quão maravilhoso é e os outros não, me sinto estranhamente alienada e num outro mundo....





domingo, 9 de julho de 2017

Estranhamente

Tenho momentos em que me sinto perdida e sozinha no meio da multidão, completamente deslocada, desfazada, estranhamente alienada. Fico perdida nos dias em que não me reconheço,  nas palavras que ouço e não compreendo nem me falam ao coração e muito menos à alma, nas gargalhadas que oiço e que dou mas que não sei interpretar, nos sorrisos que sorrio e que me sorriem mas que não consigo vislumbrar. Tenho momentos em que eu não sou eu, estas pessoas não são as minhas, este mundo não é o meu. Acho que estou a precisar de férias.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Filho de uma orquídea

Quisesse eu que a minha orquídea desse notas de cem euros ou fios de ouro ou até vouchers de férias mas não. Quisesse eu que minhas orquídeas dessem lindas flores para alegrar as minhas jarras e a matreirisse dos meus gatos que se divertem a virá-las, mas não e  nem vos sei explicar muito bem o que aconteceu aqui mas tenho uma orquídea que dá pinheiros.....

terça-feira, 4 de julho de 2017

Pontes em nós

Perguntei-me em tempos como circularia o amor em mim, como correria a paixão, ou como a seguir às lágrimas apareceriam os sorrisos.
Perguntei-me em tempos por que caminhos chegaria a alegria depois de uma grande tristeza ou como chegaria a mim o sentimento de voltar a ser grande depois de me sentir tão pequenina.
E em tempos obtive a resposta, em tempos tive certezas.
Atravessam pontes. As pontes que existem em nós

domingo, 2 de julho de 2017

Alugo filha para sessão de compras

Tenho vários biquinis de todas as cores e feitios, mas cismei que este ano queria porque queria um fato de banho sexy para espalhar magia na praia. Pois! Mas como escolher tal coisa sozinha, sem mais um ou dois pares de olhos para analisar, perscrutar, opinar? Uma filha por exemplo, eu, que só tenho filhos, um marido alérgico a compras, uma irmã que vai às compras com a sua própria filha, resmas de amigas com resmas de próprias filhas e uma mãe que mal consegue andar e não pode acompanhar-me, como, como vou eu escolher um fato de banho que me fique a matar, que seja a minha segunda pele, um pedaço de tecido nem grande nem pequeno, que esteja impecável no rabo e nas mamas e na barriga, que tenha um padrão discreto mas moderno e que me faça parecer uma sereia ein? Pois resolvi chantagear meu MaiNovo prometendo-lhe mundos e fundos por uma opinão. Lá fomos. Escolhi seis, boralá para o provador, chamei filho. "Ui! Tantos?" pergunta. E assim que vesti o promeiro ele diz. "Para tudo! É esse, levas esse. Pronto, veste-te e vamos embora! Mas.... começo por dizer, mas não me achata as mamas e fica bem no rabo e não tem muitos atilhos e a cor não é um pouco clássica e....mas... mas e os outros, não é melhor experimentar os outros?
"Nada disso, é o mais giro, fica-te bué de bem, nunca pensei mas fica" E prontos, de certezinha que é tudo mentira mas ele é bom argumentador, convenceu-me e lá fui eu pagar os mundos e fundos que lhe fiquei a dever por esta singela opinião. Agora estou aqui de queixo a tremer, ansiosa, à espera que acabe a bola para poder passar na frente da tv com o meu novo fato de banho perante restantes homens da casa e suplicar opiniões.

É este...

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O que eu fui encontrar

Ao ver fotos antigas por aqui perdidas no meu telefone. Fotos de Góis e Pedrogão Grande onde durante alguns verões acampei lá um fim de semana e dei uma pedaladas.... Já fui lá tão feliz.
Que nostalgia.... Que triste, agora tudo queimado.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Madrugadas

O sino da igreja repica as seis da manhã e eu já acordada. Chateia-me não conseguir aproveitar a noite para dormir, no entanto aprecio aqueles momentos em que posso dar largas à imaginação e ao pensamento sem ter de o cortar a meio porque tenho isto ou aquilo para fazer. Tenho calor, empurro a roupa com os pés , dá - me o frio volto a aconchegar-me. Na ombreira da porta vislumbro os contornos da Rosa Maria e do Zé, os meus dois gatos, sentados à espera que um de nós se levante para lhes dar o Pires de leite. Somos de hábitos. Tomara que cheira-se a café acabado de fazer. Mas não. Espreguicei-me lentamente e dei largas ao pensamento.
Hoje vai ser um bom dia.

domingo, 25 de junho de 2017

Sábado à tarde

Fui ao baú da paz interior e tirei meio quilo. Juntei-lhe um rio tranquilo, uma planície verdejante, uma sombra e um banco para descansar. Para a água atirei o stress da semana de loucos, na areia das bermas do rio enterrei as preocupações e os contratempos, nas nuvens cinzentas do céu escondi as tristezas. Fechei os olhos e respirei fundo, cheirava a rio e a verde e quando os abri fez-se magia, era paz o que sentia.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Dante

Mal cheguei da minha aventura levei de chofre com a realidade. O voltar ao trabalho e à rotina no dia seguinte, os fogos e as mortes, doenças de alguns amigos do peito, dois deles a quem foi diagnosticado cancro, outro hospitalizado... Há várias noites que não durmo. Esta inquietação, este desassossego, este calor consome-se por dentro e por fora. Abro os olhos e vejo pessoas a morrerem, fecho os olhos e parece que vejo chamas. Tenho com certeza algum botão avariado.
Esta noite resolvi beber um copo de vinho e tomar um comprimido para dormir. A cambalear consegui subir as escadas e chegar à cama mas passadas três horas oiço nitidamente uma briga de gatos na rua e achei que era o meu Zé. Fui salvá-lo.  Três da manhã e eu na rua de pijama à procura do Zé. Nada! Voltei a subir as escadas e fui ver o meu aspecto de alucinada no espelho da cada de banho. Lá estava o filha-da-mãe-do-gato, à fresca, esparramado no chão a dormir!
Ele estava bem, eu é que voltei a não dormir. Abaixo gatos e moto-serras e fogos e doenças e outras merdas que tiram o sono e uma gaja!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Limbo

O gosto e a vaidade com a aparência acicatou-se-me quando fui da Província estudar para Lisboa e já com dezoito por conta da minha colega de quarto que era tão feminina, tão mimosa, tão bonita. Acabei a tentar ser como ela e a conjugar roupas, a comprar sapatos e malas da mesma cor, sombras para os olhos, pulseiras e aneis, a colocar merdas na cara e a usar soutiãs de renda. Nunca consegui no entanto desfazer-me do meu outro eu, o da cara lavada, dos ténis, da roupa confortável e desportiva que em nada se coaduna com a minha profissão. E por isso ando há anos neste limbo, a tentar equilibrar os meus dois eus, ponho e tiro, ponho e tiro, até chegar a um acordo comigo própria todos os dias.
Nesta grande viagem tinha de carregar com o corpo todas as minhas necessidades e decidi não levar luxos. Nos alforges levei apenas dois equipamentos para pedalar, uma roupa para as quatro noites, chinelos, um agasalho, toalha, duas cuecas e dois soutiãs e uma bolsa com miniaturas de produtos de higiene essenciais.O resto da bagagem continha ferramentas, cãmara de ar, dropout suplente, comida, documentos, dinheiro, máquina fotográfica, telemóvel e a caderneta de peregrino. Meu Deus! O que me custou transportar aqueles nove quilos e ao fim do segundo dia, sem a roupa ainda lavada, nem um soutiã tinha para vestir para ir jantar.
Viver no limbo é lixado. Se por um lado até vivi confortavelmente durante cinco dias sem entender para que precisamos de tantas merdas, por outro senti-me nua. Faltava-me o meu perfume, o meu cheiro, a minha base para disfarçar o cansaço, o secador de cabelo para não parecer uma maluca e a minha almofada. Ai a minha almofada! Ah! Faltaram-me uns tampões para os ouvidos para não ouvir aquela moto serra toda a noite a trabalhar naquele albergue...

Voltei, voltei... voltei de lá!

Foram 480 kms de aventura, de calor, de camaradagem, foi o espírito de mosqueteiro, isto é, "um por todos e todos por um". Foram cinco dias de felicidade, de desafio, de dificuldades ultrapassadas, dia a dia, pedalada a pedalada.
Não sei se cheguei mais serena, se mais inquieta, não sei se encontrei o que procuro ou se vou continuar na minha luta. O que eu sei é que seguramente cheguei diferente. O que eu sei é que as lágrimas que me saltaram dos olhos assim que cheguei finalmente à praça em Compostela vieram do coração. Foram lágrimas de alegria, foram de felicidade, foram de gratidão e superação. Foram também de alívio, que já me doía o cú e as pernas e as costas e tudo e mais alguma coisa.
Há experiências, há pessoas, há situações que nos tornam melhores.
Sim, cheguei uma melhor pessoa, cheguei seguramente mais forte e com outra perspetiva de vida.






domingo, 11 de junho de 2017

A Leste

Sei que ando arredia, ausente e muito sem tempo, mas a minha cabeça anda a mil e o meu pensamento já está em viagem há muitos dias, não vejo hora de finalmente partir na minha bike, carregada até aos olhos para fazer cerca de 500 kms. Maluca eu sei, mas mais maluca do que eu é certamente a Loira do Também quero um blog que me desafia para estas coisas e faz muito bem pois ajuda-me a concretizar sonhos. Pena tenho de não viver mais perto dela para partirmos mais vezes à aventura.
Obrigada Loira.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

As pulgas amestradas

Primeiro mandaram-nas saltar e elas, tentaram saltar. Ainda não tinham aprendido a saltar já as mandavam rodopiar. Elas, tentaram rodopiar. Não tinham ainda conseguido bem rodopiar, mandaram-as nadar. Depois tinham de saltar, rodopiar  e nadar. Como ainda não tinham aprendido a nadar, morreram afogadas.
Filhas da puta das pulgas que não sabem fazer um cara-go!!!!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Será que é só nos filmes?

Assim que chega a casa, suspira, descontrai e aos poucos vai tirando a máscara. Os sapatos de salto, a roupa certinha e apresentável, tira as pulseiras e os brincos, prende o cabelo. Veste uma roupa larga e confortável, amarrotada de ter sido atirada à pressa para o roupeiro no dia anterior, uma t-shirt velha, umas calças mais que usadas, mas o que importa isso, afinal é para andar em casa, na intimidade do lar, sem máscaras, sem maquilhagem que disfarça as gelhas do dia e encobre os olhos cansados, sem um penteado que disfarça o cinzento da alma,  sem o sorriso número sete que esconde as contrariedades. Sabe tão bem poder estar finalmente na pele que tão bem se ajusta a si. Tira a loiça da máquina, põe roupa a lavar, faz o jantar, dobra cuecas e meias, trata dos filhos, faz o jantar, arruma a cozinha. Uf! Um banho, um pijama fofinho, um pouco de creme nas mãos. Exausta, descansa... Caramba. Nos filmes e nas revistas e nas séries, as mulheres estão em casa, bonitas e apresentáveis, de batom nos lábios, penteadas, calçadas, engraçadas, sem nada para fazer que não seja mimar maridos e filhos, ler, conversar, ouvir música, pintar, escrever e rir muito... Será que é só nos filmes?

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Quando eu vejo o mundo

Desafios são desafios.
Mas mais do que um desafio, mais do que um treino para a grande viagem que é já na próxima semana, essa sim O Desafio, mais do que um teste a mim própria, à resiliência, à capacidade de sair da zona de conforto, à aptidão para ultrapassar dificuldades, ao poder da mente que no fundo comanda o nosso corpo nisto tudo, mais do que um teste à capacidade física, estou a falar, claro, de um desafio de bicicleta pelo mato que envolve muitos quilómetros, muita dificuldade técnica e física, muitas subidas e descidas assustadoras...
Mais do que chegar a casa suja e a cheirar a cavalo, moída até aos olhos, as pernas e os braços arranhados das silvas e dos arbustos, o joelho negro de uma pequena queda a descer a alta velocidade, eu vi o mundo, eu alimentei a minha paixão...